quarta-feira, 30 de maio de 2018







Poemas De Amor En Outono

Toño Núñez

Dou-me, livre de qualquer ânsia, a esta apetecível e atenta leitura e, agora em jeito de curto comentário, sobre ela tecer breves considerações ao livro que há uns dias me chegou às mãos pelo próprio autor Toño Núñez, dado à estampa por FACHINELO,  em 2ª EDIÇÃO. 
Há um propósito imparável nos poetas que se traduz na vontade de abraçar o mundo e nele se tornar seu mensageiro que é ao mesmo tempo vocação, desafio e convite. Tem, para isso, o poeta Toño Núñez a grata vontade de transportar, pelas páginas marcantes deste seu livro, a mensagem  para um mundo cada vez mais afastado dos seus valores culturais e sociais. 
Mas é este apontamento que  nos direciona para uma literatura de combate ou desta aurora iluminada pelos raios do sol e aquecida pelo calor das palavras, em que registamos o seu valor estendido desde o sonho ao silêncio e à «música que se alonga e non se apaga» mas também ao esplendor dos dias numa dinâmica de atitude em relação à mensagem, o pormenor sempre mais que necessário que toma lugar maior na literatura, projetando-a para espaços do pensamento e do conhecimento crítico e cientifico. 
Estamos perante uma poética que visualiza e dá viva expressão ao sentimento do poeta.  Tudo cindido num ritmo preciso e precioso na aposta de novas formas estéticas, aliado ao tempo em que «As pedras do camiño erguían a súa protesta.» o tempo presente que embala o berço dos poemas. E, portanto, está aqui traçada a marca que define os grandes poetas como peregrinos que caminham ao encontro de um novo tempo poético, tendo como objeto central a palavra nova. Por outro lado, é aí que ele acolhe recanto para o seu canto não como sinónimo de partida, mas sempre num vincado desejo de chegada  «Chegastes coma brisa / con arrecendos de amor».  Nesta linha de conta, pode-se afirmar que a poética de Toño Núñez  revela, antes de tudo, conhecimento e presença a par de uma elegância notável que assenta neste expressivo olhar que lhe inspira este fragmento do poema intitulado Muralla: 
“Por sempre matria e musa serás
da xente que habitamos esta fraga.
E à que chegue tamén acollerás....”
Por conseguinte, estamos diante de uma poética plena de emoções vividas ao ritmo de paixões excecionais a valorizar uma musicalidade que lhe é inerente, alguns instantes de vida iluminada que se vai transfigurando em poemas densos e suculentos que o autor procura partilhar connosco e se estabelecem na grande plataforma da arte de bem escrever. 

Álvaro de Oliveira

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