sexta-feira, 5 de maio de 2017




ESBOÇO - Livro de Poesia
             de 
Sílvia Mota Lopes



À partida começo por me sentir particularmente feliz com este curto texto onde encontro um discurso que me enche por dentro, porquanto se trata de uma obra que desafia a arte de poetizar e, por outro lado, permite à autora exprimir as suas emoções e os seus estados de alma. A partir daqui (e com que força!) provém o ensejo de transmitir em cada verso uma energia inesgotável capaz de cativar a atenção do leitor, sabendo-se que a poesia aparece identificada com a própria arte, o que tem plena razão de ser uma vez que a arte é por si mesma uma forma de linguagem. Assim, a poética também pode ser explicada, como o modo de uma pessoa se expressar usando recursos linguísticos e estéticos.
Uma ideia de mar quando as gaivotas beijam as sombras dos seus olhos, duas palavras unidas ao entardecer assente nos espelhos, os espelhos da imensidão ou a vibração do rosto, umas vezes agressivo, outras calmo e apaziguador em instantes de vento ou brisa apetecida pelas vagas, beijos que vestem as aves, ternos suculentos. Eis a razão pela qual me é grato citar Garcia Lorca: "A poesia é a união de duas palavras que ninguém poderia supor que se juntariam, e que formam algo como um mistério".

Por este alinhamento trago à liça estas breves considerações, não sem antes colocar em aviso de que a Sílvia possui já estatuto de uma poetisa de sonhos perfumados e líricos. Daí a admiração nutrida por uma escrita consequente, solta, breve e livre e a mensagem sempre um apelo aos eternos dizeres do tempo.

                                                                                                Álvaro de Oliveira
curto excerto  de um texto distribuído pela imprensa

terça-feira, 7 de março de 2017


José da Silva Moreira - Professor e Poeta
Natural de Braga


O que aqui me traz, de facto, é uma abordagem ao novo livro de José Moreira da Silva, “Ósculo na Areia” - SONETOS - Edições Calígrafo. Relendo-o, o que me ofereceu um prazer imenso, pude observar, no correr destes bem mais que uma centena de sonetos, o rigor do ritmo e a sua harmonia, a sobriedade de uma rima difícil e rica e, a um terceiro tempo, a sonoridade musical que deles sobressai, argumentos que me cativam e que sigo de página em página, numa leitura atenta que me enche a alma e me encanta. Poemas que considero ética e socialmente interventivos em que o autor se apronta na exigência da mensagem, tendo apostado na singularidade desta obra, o que lhe dá verdadeira amplitude literária.

Entre outras grandezas, em que toma relevo alto a arte, depressa me apercebo que este livro de Moreira é, em si mesmo, uma arte na própria arte, fazendo dela parte uma aliança da solidariedade, testemunho que se eleva em relação ao homem (e este com a natureza), o detalhe levado à tona de uma textura conjugada numa harmonia musical que lhe dá precisa identidade poética. Assim:

“Criança
Eras lágrima de sal, ósculo na areia,
Polícroma vaga em finos horizontes,
Linha de terra, ilhas verdes, altos montes,
Sonho de fogo em noite de lua cheia...

Eras, amor, eras espera, eras sereia,
Enlace doce, via líquida de pontes,
Foz, primavera, rosas, encantadas fontes,
Anseio irretorquível, labareda, ideia!...

Estrugem, horrendos, espíritos de treva,
Réprobos frutos do ventre inteiro de Eva,
E choro, fujo, adormecido na bonança...

A tua fúria, mar, o desamor de Europa,
Os dentes do mostrengo, marte, a sua tropa...
Mas ninguém viu que eu era só uma criança?

Aqui o poeta arranca uma funcionalidade da mensagem, quase única, fonte pura a espanar-se no leito da página, o timbre que aflui contra o fio de enigmas perturbadores a que o autor apelida e estrugem, espíritos de treva e, no terceto seguinte lamenta, a fúria, o desamor do mostrengo, ou, nesta visível inquietação, fazendo questão de citar «a sua tropa». E a questão evidencia-se agora como luz repentina entre o famigerado apagão causado pelos espíritos de treva: 
«Mas ninguém viu que eu era só uma criança?»
Uma voz contra o abandono e o esquecimento.
Tudo, portanto, é movimento e intensidade, vivência, trabalho exaustivo, enunciação, apelo, registo que a arte impõe pela raiz do sentimento do poeta. Como no dizer da autora do prefácio, Micaela Ramon “Na maior parte dos sonetos, o poeta assume a dupla condição de sujeito da enunciação e do enunciado para expressar os seus próprios sentimentos e vivências...”
Daí a poesia, esse pensamento convertido em emoção, encontrar exaltação na palavra, o seu caudal comunicativo, com suporte nesta trilogia: o seu sentido semântico, o seu sentido rítmico e o seu sentido musical. 

*) Pequeno excerto do texto 
que fará parte da obra "Um outro Olhar pela Escrita" 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016






INQUIETAÇÃO NO OLHAR
Álvaro de Oliveira e Adiasmachado
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Um lugar mítico, fantástico e acolhedor que nos fez viajar pelos pergaminhos da idade, pleno de música e poesia. De solidariedade. Momentos que a memória não deixará dissipar.
O nosso abraço aos amigos e familiares que connosco ali estiveram (e que foram Tantos!) e aos que, por razões de força maior, não puderam estar. Um abraço especial ao nosso amigo Hermínio Silva. A ele se deve o primeiro abrir da porta do Mosteiro de Tibães para este tão grande acontecimento. Um carinhoso abraço à Dulce Atilano, à pintora Sabina Figueiredo e à Paula Prata que tão minuciosamente organizaram este evento. Ao Professor e poeta José Moreira da Silva pela brilhante apresentação que fez do nosso livro "INQUIETAÇÃO NO OLHAR. À Professora e poetiza Lídia Borges, prefaciadora desta obra. Ao jovem violinista João Marques pelos instantes de música com que abrilhantou este acontecimento. Aos dizedores de poemas que foram do melhor. Ao presidente da Associação HODI, Luís Quintino, Ao Presidente da Junta de Freguesia de MIre de Tibães, José Magalhães pela gentileza com que nos recebeu. E, por fim, Um abraço ao Pintor Adiasmachado, pai da ideia para este desafio.
A todos a nossa modesta gratidão.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Sebastião Alba - Poeta
Pseudónimo de Dinis Albano Carneiro Gonçalves
nasceu em Braga
11 de Março de 1940 - 14 de Outubro de 2000
 Autor de uma fabulosa obra poética






Ninguém meu amor 


Ninguém  meu amor
ninguém como nós conhece o sol 
Podem utilizá-lo nos espelhos 
apagar com ele 
os barcos de papel dos nossos lagos 
podem obrigá-lo a parar 
à entrada das casas mais baixas 
podem ainda fazer 
com que a noite gravite 
hoje do mesmo lado 
Mas ninguém meu amor 
ninguém como nós conhece o sol 
Até que o sol degole
o horizonte em que um a um 
nos deitam 
vendando-nos os olhos.

              Sebastião Alba - © O Ritmo do Presságio


quinta-feira, 22 de setembro de 2016



Busca net - Poesia













Da Poesia


Nada posso dizer da poesia
se tem espaço no céu, lugar no mar
se é fruto da tristeza ou da alegria
se ela tem foz ou cais onde aportar.

Se é luz na escuridão, se é pensamento
se é trovão, tempestade ou anuência
o arco da palavra ou fingimento
dumaave flutuando em sua ausência.

O oráculo ou silêncio do Poeta
o seu lugar sagrado, uma oração
estados de alma, a grata devoção.

Porém, basta-me ler prá conhecer
e dela tão só dizer em qualquer parte
que é a grande senhora. Que é Arte!


                             Álvaro de Oliveira

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Convite


As edições Calígrafo e a Junta de Freguesia
de Nogueira, Fraião e Lamaçães
convidam-no a estar presente no lançamento da obra
“Gestos de Água” do escritor Álvaro de Oliveira
Na próxima Sexta feira, dia 12 de Junho, pelas 21.00 horas
No salão da Junta de Freguesia de Nogueira

A obra em apreço será apresentada
Pela professora e poeta Lídia Borges

domingo, 10 de maio de 2015

acrílico  - 1992










Sem título


veste-se de azul esta água
em seu ondular de vento:
um barco à deriva é mágoa
ao fundo sem um alento
sem pescador e sem rede
apenas um ar se amarra
à água que tudo mede
vem pescador fique a rede

este olhar que ora se pede
que Deus te conduza à barra.
Álvaro de Oliveira