quarta-feira, 31 de outubro de 2012

As Mãos Atadas


Ele há coisas que não dá para acreditar. Às vezes até penso que não estou a viver o real ou começo a imaginar que a realidade já não existe. De facto, os acontecimentos de maior aflição ocorrem, exactamente, quando menos por eles esperamos. Tamanhos, que logo os procuramos esquecer para evitar forte enxaqueca ou colapsos cardíacos: os cortes da luz, da água e do gás por falta de pagamento, a somar às prestações da casa, em atraso, e o banco já a mover acções de despejo para sacar a casa e ficar com o dinheiro que, por ela, já recebeu.
Coço a cabeça enquanto penso: Que fazer agora sem emprego, sem meios de poder dar volta à vida? Pedir? Procurar um Centro de Solidariedade para comer, por esmola, a tigela da sopa? Mas é isso que pretendem os nossos governantes? Uma sociedade de desgraçadinhos e pedintes, enquanto alguns políticos, que já romperam as calças na cadeira do poder, desviaram e desviam, à má fila, o dinheiro que era nosso? Era, digo eu, e são centenas de políticos e muitos milhões de euros. Quem os penhora? Quem tem a coragem de lhes cortar a luz? A água, não. Essa mata a sede, mas não mata a vergonha. Continuam livres, ganham vantajosas subvenções, habitam na grandiosidade dos seus palácios, passeiam-se em luxuosos carros, fumam charuto e gozam à farta. Em suma, dou pela recente criação de três novas classes sociais: os que roubam… os que dão… e os que pedem. “Custe o que custar”, diz o jovem lá do alto. E nós de mãos atadas a tapar a cara. 

                                                                                                            Álvaro de Oliveira

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