quinta-feira, 10 de novembro de 2011

José Manuel Mendes

LEGENDAS, PELÍCULAS, MEMORANDOS   
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ilha serena, exposta e clara tarde ventosa, um barco pequeno, ao perto, recolhendo conquilhas junto à rebentação. em círculos regulares. o pescador, debruçado para as águas, parece auscultar radiações que outros dedos ignoram. endireita-se, num repente. tira uma biata da orelha, coberta pela boina negra, fumaça para a aragem salitrosa. puxa a rede, daí a minutos ( uma espécie de saco oblongo), despeja no tabuleiro os espécimes captados, põe-se a escolhê-los, com minudências,enquanto prossegue as manobras do bote, engrenando alternadamente, as duas velocidades do motor. só depois nos olha, entre mesureiro e distraído, lá do fundo das rugas surradas, três ou quatro dentes podres numa saudação fugaz.
                                   
                                                                                                       in (Depois do Olhar)

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